sábado, 23 de agosto de 2014

Avassalador


Me libertei ontem
da necessidade 
de agradar idiotas,
esse vício estupido,
esse habito infantil
e sem sentido.

Foi preciso 
um imenso choque de realidade
para sacudir as fundações,
derrubar paredes trincadas,
arrancar portas emperradas
e janelas mal colocadas.

Foi como estar em meio
a um terremoto avassalador,
ser pego por um tsunami,
cair de 10.000 metros
e se esborrachar no chão,
toda a merda da auto piedade,
morbidade e vitimação
escoou de mim.

Então finalmente percebi
toda a escuridão e ignorância
que eles cultivam
em suas idéias, 
ideais, paixões,
religiosidade,
divindade.

Vi seus rostos sem maquiagem,
sua "humanidade" grotesca,
canibais insaciáveis,
mortos vivos,
buracos negros
em corpos humanos.


San, 23/08/2014

Liberdade



Um dia serão queimadas
 todas as bíblias,
vedas, toras, corãos,
neviims, mahabharatas,
livros dos espiritos, analectos,
rig vedas, sunas, talmudes,
tao te chings, avestas, 
tabernáculos da unidade, 
upanishads, tripitakas, tenakhs.

E tudo mais que são apenas letras
impressas em papel,
 palavras adoradas como sagradas
mas que não conseguiram realmente
 transformar o ser humano,
não conseguiram curar a ganância,
mentira, manipulação, brutalidade,
não conseguiram trazer a bondade,
ética, igualdade, justiça
para o dia a dia de todos.

E serão queimadas todas essas 
milhares de páginas 
de livros confusos e conflitantes,
livros que causam medo, 
separação, dor, duvida, 
que destilam e justificam
 ódio, preconceito, violência,
ignorância, raiva, 
que afirmam nossa queda,
que confirmam nossa impureza.

E junto a essa grande fogueira
estarão mães cozinhando o alimento
para seus filhos,
velhos esquentando seus ossos frágeis,
jovens cantando canções,
embalados pela luz e liberdade, 
finalmente conseguindo respirar,
aliviados e libertos
da forca dos conceitos 
limitantes.


San, 23/08/8014

Animais banais


Sua fala é pura incoerência
muitas vozes gritam através 
das suas pseudos certezas,
vozes dos antigos homens
que tentavam se proteger do caos
inventando mitos,
vozes do medo.

E esse medo que você nomeia fé,
é o medo da vida sem sentido
que embasa o onipresente vazio  
a realidade ordinária e caótica,
o fato de não haver 
explicações plausíveis.

Ouça,
somos apenas animais
como tantos que aqui existem,
nada além,
rolando nesse imenso universo.

É esse medo que anima 
sua fala desconexa e apressada,
a necessidade de existir
algo de especial
 no nosso surgimento,
uma intenção maravilhosa e unica
algo que seja mais do que 
um espermatozoide mais veloz
na perpetuação da espécie.

Você precisa se sentir mais poderoso
que as bactérias que irão lhe matar,
seu ego infantil e frágil precisa.

E assim você transfere 
a objetos materiais, 
a sacralidade e sagração
da luminosidade que não existe,
da pseudo diferença,
o mágico do seu surgimento.

No entanto você é banal,
todos nós somos banais,
ridículos seres esperando 
e negando
a morte,
cuspidos e esquecidos
 na eternidade.



San, 23/08/2014


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Luz emergente


E toda a luz 
que toca seu coração 
se expande 
de dentro para fora, 
eis o mistério da criação. 

Purifica
o tal do homem 
corrompido 
que no seu leito 
é nascido puro.

É assim luz infinita  
que possa brilhar 
em toda sua vida 
e clarear 
os pontos obscuros 
que surgirem. 

Assim eu me proponho 
de ser luz emergente 
infinita 
que possa clarear 
a sua vida 
e brilhar 
dentro do seu coração. 




San, 15/08/2014

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Sua verdade


Eu perdi minha fé 
quando encontrei deus,
ele me libertou da sua mentira.

Me fez uma unica pergunta:
- O que esta fazendo aqui filha?
Não lhe fiz perfeita e completa
para duvidar de si mesma 
e de todas as coisas do universo!

E diante do meu espanto completou:
- Tudo que dizem sobre mim
são afrontosas mentiras
de egocêntricos aproveitadores, 
nada disso endosso, desejo, reconheço!

E então me abraçou
como realmente um pai abraça um filho,
em silencio terno e respeitoso
e se foi dissipado em sua obra.

Desde aquele dia
eu confirmo minha convicção:
deus não existe!
nada disso que falam
é certo e coerente.

E assim tenho me mantido
fiel a sua unica verdade.


San, 18/08/2014

Iluminada


Minha insolência é luz
não tem nada de obscuro,
e não pode ser suturada
pelas mentiras do mundo.

E quem me acusa tem respostas,
quem me despreza tem certezas,
e carregam grande livros velhos
que afirmam minha impureza.

Minha insolência é luz
não tem nada de obscuro,
e não pode ser curada
pela perversão do mundo.


San, 19/08/2014

A musica que toca ao longe


Toa toada
que não esta a toa,
nesse mundo apertado
abre espaços,
com seus movimentos
ritmados.

Fala de alguém
que vive dentro
e muito distante,
que sabe tudo
menos seu nome,
que abraça
as beiradas
pontiagudas
da mente.
e as torna
flocos suaves
de nuvens.

Toa toada,
me espanta
que não seja ouvida
por todas as almas
paridas,
caídas
em corpos xoxos,
que falam muito
e ouvem pouco
da canção da vida.

Quero ser essa mão segura
que segura esse arco e prende
a atenção dessa demente
que decidiu não digerir
as mentiras da mente.

Agora minha alma sussurra
a musica da consciência,
venha mais perto,
tenha paciência,
que a toada continua.


San, 21/08/2014

Partículas


Todos os seres tem som
que pulsam na eternidade,
eu ouço essas partículas
de beleza e integridade. 

Eu vejo lampejos de luz
além da bolha do ego,
além do tempo marcado,
além de um breve momento.

Todos os seres tem som
eu ouço essa cantiga
que fala de vidas tão belas
novamente reconstruídas.


San, 21/08/2014

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A essência


O que me impulsiona à frente
não é o tombo que tomo,
nem é o empurrão que me é dado
pelos seres que engrossam essa fila.

O que me impulsiona à frente
é uma esperança infinita,
é uma visão futurista
que não conseguiria explicar.

O que me impulsiona à frente
não são essas pernas mulambas,
não é o impulso do corpo
e nem a fome antiga.

O que me impulsiona à frente
é um pensamento fanático,
é uma fé irreprimível,
é outra ideia da vida.

O que me impulsiona à frente
às vezes é a mão amiga,
às vezes é um amor complacente,
às vezes é vaidade egoísta.

Nem todo soco dos homens,
nem toda voz que levanta,
nem todo medo que espanta,
nem toda parca utopia,
nem todo presente fecundo,
nem todos sonhos do mundo,
nem nada,
nem tudo,
pode mudar o rumo
e tirar do meu Ser
a essência
dessa vitória desconhecida.

San, 21/08/2014

Nada mais poderei ser


Nada mais poderei ser
do que sua lembrança,
pois você me prendeu
como numa aliança,
a bailar na penumbra infinita
do seu pensamento
cometendo pecados e bençãos.

Nada mais poderei ser
pois os seus chamados me dividem
e o silencio me atordoa,
e sou assim a mola propulsora
de uma uma corrente fluídica sem direção
que a alavanca da sua sensibilidade aciona
em busca de outra dimensão.

Nada mais poderei ser
e já cativa de tanto renascer
não luto ante o tragar da sua correnteza
me transmutando
para todas suas carências
e transbordando
em Perfeita Consciência.



San, 21/06/1988