segunda-feira, 25 de abril de 2011

UM BOM ANO


Te adoro insensata deusa !

HEI HEI ERGAMOS AS TAÇAS VAZIAS !!!

E vamos enche-las da sua vida

antes que tudo se esfarele.

Tão frágeis são imagens de carbono.

HEI HEI ERGAMOS AS TAÇAS DA VIDA !!!

Mulher Paduang de Paris

de todos os nomes da perfeição

a síntese da pedra da roseta.

HEI HEI QUEBREMOS A TAÇA NO CHÃO !!!

Será translada morta-viva,

adorada, invocada, nunca atingida,

imortal em 3 dimensões.

San, 26/04/1963

Comprar Alugar Arrendar


TA TUDO BEM,
TATU DO IGUAL,
DE MAIS A MAIS
TA TU DO ALI
MAS NEM SEI AO CERTO
SE TU DO PO DE SER
AS SIM PRA SEMPRE
SE TIVES SE A CASA DO TATU
TE RIA SIM
CASAMORADIAPAZFIM.

San, 02/04/11

AMOR



Me abraço a você Verbo Imperfeito
sendo tomada pela sua história,
mergulho em aromas, toques,
sou instigada por olhares
e perscrutada por risadas.


Enxergo entre os longos brancos,
doce caos, ansiedade, abraços,
ouço tamburas e apitos tocando, 
o farfalhar de pés tocando em seda
e corpos se alongando.


Agora se fez vida entre muitas mortes,
foi apartado meu silêncio, 
ouço sinos, vejo florestas luxuriantes,
sinto a chuva azul chegando.


Você escreve em mim com a pena
de um bico de beija flor,
minúsculos arabescos,
cones que se abrem, Crop Circles,

um único e dourado dente de leão.

E agora convertida em Haikai
dentro do seu corpo,
verbo que um dia soprou
em meio a criação.



San, 25/04/11

sábado, 12 de março de 2011

D O R


Por favor me deixe falar da dor!

Não porque a queira agora,
seja apegada ou viciada nesse estado,
mas porque é preciso lhe dar voz,
é preciso que ela se exponha, seja ouvida,
para finalmente seguir seu caminho.

Calar-me agora não a fará se calar também,
e se você virar seu rosto e mudar de assunto,
fazer sermões, propostas, contar historinhas,
ela esperara até que esteja pronto
para se confrontar com aquilo que exige resposta.

Não a trago como uma afronta a você,
e nem quero lhe infundir medo,
a mortalidade faz parte 
da condição humana.

Eu preciso me conhecer por todos os ângulos,
descobrir a pessoa inacabada,
o que se esconde em pontos cegos,
eu preciso do espelho de muitos olhos,
eu preciso de um minuto de paciência,
do apoio de um braço forte,
eu preciso encarar aquilo que me toma,
eu preciso retomar aquilo que me foge.



San, 12/03/11

sábado, 19 de fevereiro de 2011

ARESTAS



Assim que você nasceu
uma aresta foi sutilmente quebrada,
você se tornou o filho de alguém.

Num papel tudo é registrado
para que nunca possa se esquecer,
local de nascimento, ano,
dia, hora, cor da pele, sexo,
nome de duas gerações
que lhe trouxeram ao mundo.


Depois hábitos, palavras, normas
internet, cinema, os amigos, a tv,
revistas, o mundo lá de fora,
foram lixando suas arestas.

Quando menos esperava
você se tornou aquele que veio fazer algo,
médico, juiz, diretor, dentista, advogado,
dar orgulho aos pais, avós, padrinhos,
ser o campeão admirado ou temido.


Mais e mais arestas foram sendo polidas,
um movimento chamado "educação para o mundo",
e assim você é exortado a chegar a algo,
ser algo, ter algo, esperar algo, acreditar em algo, 
renegar algo, temer ou amar algo.


E então você que era
o senhor das mil pontas luminosas,
agora é um perfeito circulo,
se encaixando em tudo, sem diferenças,
sem nada do que trouxe de si mesmo.


San, 18/02/11

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Balada da vida perdida


A nossa infância morta
ainda pode brincar
no patio vazio
das nossas insensíveis portas.

Não tenho nada não !

Não posso nada lhe dar !

Nada, nada, nada !

Eco das nossas maldades diárias.


San, 01/12/81

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

De olhos bem fechados



Por certo que ficaria mudo
e um grande silêncio
com ondas ao fundo.

E teria também
um misto de dança
e balançar suave
como fazem as crianças
chupando o próprio dedo.

E naquele momento
se abriria os espaços vazios
necessários quando estamos cheios
daquilo que não seremos
e não queremos entender.

E de olhos bem fechados voaria,
como a sombra do ônibus 
passando na estrada,
sendo levado até o lugar distante
onde ainda existe inteiro.




San, 25/01/2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Intruso



Por toda casa
vão ficando fragmentos de nós dois,
criaturas antes integras e coesas,
agora tão distantes e indefesas,
despedaçamos como tolas ilusões.

Nossas mãos jã não se tocam no escuro,
os olhos são arredios e sem carinho,
e onde antes havia beijo, musica e palavras,
a boca cala.

Não existe mais cobrança,
raiva, tristeza, espaço,
tantas coisas que não foram ditas
nunca mais serão,
não existe a necessidade de solução.

E virando as paginas desse livro nossa vida,
onde fotos antigas se parecem de outros seres,
o estranhamento me segue como um sopro,
nada de você desperta saudades e desejo,
nada de mim mesma eu reconheço.



San, 14/01/2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Horizonte perdido



Tantos caminhos a seguir
com suas dores-dificuldades,
suas recompensas-responsabilidades,
seus sabores-imagens.

Tanta coisa para conhecer,
praticar-entender-assimilar,
duvidar-questionar-expandir,
negar-evitar-destruir.

E o coração
aquece-aninha-sufoca,
larga-enregela-trisca,
expande-recompõe-abriga.

Descompensado,
descompassado,
bate, bate, bate, bate,
se pergunta o motivo de bater.

Então a luz,
a clareza de sentir,
um minuto sem guerra,
sem pendência-busca,
colocando pé a pé a frente,
balançando ao sabor do vento.

Todos caminhos vão machucar
olhos abertos-descalça,
sem ilusões-fé-mentiras,
passo a passo-construção,
passo a passo dor-descoberta-alivio-equilíbrio.


San, 12/01/2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Consequências


Escuto o sopro fantasmagórico
que de vez em quando ronda 
minha inconsciência,
vozes de pessoas indiferentes
como possíveis mortos desconhecidos,
restos de conversas, pedidos, um parabéns
conselhos de 1942, as vezes um aplauso,
um meloso soluço de choro contido.

Depois tudo se mistura
ao som caótico do transito,
da cidade, dos ambulantes,
dos travestis, dos pensamentos,
ligo o radio para chegar 
ao absoluto do acumulo,
o buraco negro,
e ele talvez engula todas as coisas,
a luz, a treva, o pressentimento,
talvez levante o carro
e o jogue em outra zona de conflito.

E o frio que antes era seu estomago
subiu mais a esquerda,
até o coração,
como uma larva gosmenta,
ou a voz falsamente bondosa
do médico verdadeiramente distante
enquanto enfiava a grande agulha.

BIOPSIA...
esse nome sempre me pareceu de uma flor

de uma planta trepadeira,
cheia de pequenos botões brancos e perfumados
que vão subindo pelas paredes e alambrados de madeira
até apodrece-los e tudo ir ao chão.

Por que você me abandonou antes do primeiro olhar?

Antes do primeiro bocejo, antes de qualquer espirro,
cutucada no nariz, coçada de saco, cusparada,

suor nas mãos, boca fedida, grito sem sentido,
antes de ser alguém ou algo
que se pode desrespeitar ou desprezar ?

É isso que você faz com todas as coisas ?

As deixa como um telefone fora do gancho ?

Esperando na esquina enquanto você vai comprar jornal ?

E as vozes distantes se calam,
absurdamente tristes pela minha vida,
como mortos pranteando vivos,
o silêncio corta ao meio a avenida,
ultrapassa o sinal,
atropela um ciclista,
levanta minha mão
para alcançar alguma coisa,
talvez segurar a ponta dos seus dedos
antes da partida.



San, 17/02/2010