terça-feira, 5 de setembro de 2017

Presença


Oi!

Eu estou aqui.

E você, onde está?



San, 05/09/2017

domingo, 3 de setembro de 2017

Em igualdade



Hoje é um dia de arrastar o pé
a perna pesada e o braço bobo
dói, pinica, treme, incha, repuxa
fico tropeçando por qualquer motivo
até em quinas inexistentes

Antes eu xingava
gritava um bom palavrão
daqueles cabeludos
agora solto apenas um "ai" 
desses pequenos
ou respiro fundo

Já tive meu tempo de mágoa
perguntas insistentes e raivosas
jogar as coisas no chão
ou mesmo bater a cabeça na parede
mas isso passou

Agora consigo me trazer de volta
devagar e com consistência
seja do mundo da impaciência
da tristeza ou sofrimento
e ai posso me contentar 
com alguns suspiros

Ainda penso muito em inimigos
ocultos, inesperados ou antigos
mas afirmo que esse hábito-vicio
não me ajuda, não me prepara, 
não me fortalece ou apoia
e vou para outro local mental

É um trabalho diário
um trabalho de formiguinha
persistente, atento, envolvida
e sem expectativas imediatas
mas eu faço 

Eu mudo porque preciso
cansei de estar sempre a beira do abismo
me refaço para conseguir viver
em igualdade
comigo mesma



San, 03/09/2017

sábado, 2 de setembro de 2017

Jogo


Pare de ler!

Que indelicado!

Não sabe respeitar 
o momento alheio
de intimidade?

Curiosidade?

Que disparate!

Deixe que aconteça
o que tem que acontecer
pois o mundo continua a girar
mesmo sem você saber



San, 02/09/2017

Canção das poucas palavras 4


E o silêncio é reconfortante



San, 02/09/2017

Canção das poucas palavras 3


Já tem muita gente falando



San, 02/09/2017

Canção das poucas palavras 2


E quando acordo
para que explicar?



San, 02/09/2017

Canção das poucas palavras 1


Adormecida
não preciso
falar


San, 02/09/2017

Espalhando


É delicioso ser pernóstico
de fato 

Pomposo
afetado
poderoso

Observando as bocas escancaradas
dos observadores
tão tolos

Seus olhares enviesados
mãos crispadas
consumidos pela inveja

Desfilar por esse mundo caduco
como o rei ou rainha dos pretensiosos
esquecer o coitadinho no armário



San, 02/09/2017

Miasmas


Quando você fica com outras pessoas no escuro
pode ser assustador ou liberador
pode ser tranquilo ou expectante
porque as pessoas são outra coisa no escuro

No escuro os nomes não importam
não vemos as roupas para avaliar
não temos formas definidas
para que possamos elaborar
crenças e idéias
e fazer julgamentos

Elas podem ser aliadas do bicho papão
ou nosso anjo da guarda muito antigo
elas podem ser velhas almas em corpos jovens
ou podem ser crianças irrequietas em corpos senis
o escuro transforma nossa percepção acomodada e viciada

E como é para você estar no escuro?

Sentir a si mesmo?

A escuridão desintegra suas falhas ou as ampliam?

O escuro por um tempo foi apavorante para mim
era o local onde não podia fugir das coisas que acredita e via
mas que não era entendido, tolerado ou assimilado pelas outras pessoas
meus medos-delírios-imaginativos-percepções-extra-sensoriais

Agora o escuro é extremamente confortável
como um cobertor que se dobra sobre si mesmo criando uma cabana
o escuro é meu lugar de respirar profundamente
onde o tempo não determinada mais nada
e nem os problemas de ontem ou de amanhã

Agora eu posso ficar no escuro com as outras pessoas
que sempre foram miasmas da densidade desse escuro



San, 02/09/2017

No espelho



Seu amor 
desconectado
etéreo
apenas tato
objeto abstrato

Impulso elétrico
desconhecido
mas sentido
murmurando
um som
apenas tom

Acordo
e ao colocar 
os pés no chão
você desvanece
isso me consome

Preciso de mais
do que apenas
pressentimento
nesse momento

Seu amor
causação
interdependente
delírio crônico
ilusão
potente



San, 02/09/2017