terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Profundo profano - Apocalipse


A cegueira nos trouxe até aqui
mas é a covardia
que nos empurrará
para o fundo



San, 15/12/2015

Profundo profano - Religião


A fé não tolera a razão
mesmo que a razão a aceite

A fé é um menino que se fixa
apenas no brinquedo 
que esta em suas mãos
alheio ao resto do corpo


San, 15/12/2015

Profundo profano - Identidade



A marca não é da besta
mas a besta deve ser marcada
para que a marca não esmoreça
mesmo com a morte da besta



San, 15/12/2015

Profundo profano - Desejos


Ahhh essas coisa idiotas
que desejamos com tato ardor
e fazemos de tudo para obter
apenas para usar 
por poucos minutos
e logo esquecer
são o maná da estupida vida
que não conseguimos entender



San, 14/12/2015

Precariedade


Meu coração de papel
requer atenção
e sábios cuidados

Se molhar com o fel
ele desbota
e fica enrugado

Meu coração de papel
não é resistente
nem ao menos durável

Como as coisas singelas
ele precisa da paciência
das antigas ciências

Todos os dias
deve ser pendurado na janela
para o sol do entardecer
fazer seu trabalho

E o caprichoso vento mansinho 
vai girando o pobre coraçãozinho
enfraquecido e desacreditado

Meu coração de papel
tem suave beleza
mesmo na sua precariedade



San, 15/12/2015

Deste temor



Não tema!

Alguns monstros surgem apenas
para que possamos vencer 
velhos obstáculos,
medos latentes,
 conceitos ultrapassados

Não tema!

Não podemos nos apegar
apenas ao que já conhecemos.

Se for sempre assim 
como crescemos?

Só chegamos a alteridade
no exercício da adversidade,
para viver a contento
temos que tomar alento
no inesperado.

Os monstros são inventados
o homem iludido
os monstros são construídos
o homem limitado
os monstros são assustadores
o homem subjugado
pelo faz de conta

Não tema!

Abra os olhos,
os braços, 
o coração, 
a cabeça,
e me conta
se não é possível estar além 
da estupida conveniência.




San, 15/12/2015

domingo, 13 de dezembro de 2015

Poemas Zen - Origami do Vazio


Até o nada tem substância,
só não vemos 
por estar a distância.



San, 13/12/2015

Poemas Zen - Origami do Empenho


Mesmo estando atento
não é possível capturar o vento.

Não é uma questão de empenho
cada coisa tem sua própria finalidade.


San, 13/12/2015

Poemas Zen - Origami da Felicidade


Para ser feliz
estar em si
já basta.

Não compre o bom alheio
pois ele pode ser sua tristeza.



San, 13/12/2015

Poemas Zen - Origami da Complacência


A natureza de cada um não muda
é a mente que precisa aceitar
as belezas da desigualdade.


San, 13/12/2015