sábado, 18 de julho de 2015

I'm so sorry


Me desculpe estar ausente
quando deveria esta atenta.

Me desculpe usar desculpas
para não entender as suas cenas.

Me desculpe tornar vazio
aquilo que seria precioso.

Me desculpe tomar atalhos
para não apreciar suas paisagens.

Me desculpe não ser aquilo que sou
e preferir torna-lo algo estranho.




San, 17/07/2015

In the heart immensity


Amar pode ser suave e terno
não é preciso sempre ter jogos,  
competição, tapas, ciúmes, fogo
viver na força de um martelo,
machucando e sendo machucado.

Quando deixamos o ego de lado
sem querer sempre a vantagem
conseguimos escutar com atenção plena,
então se manifesta o respeito, 
carinho, delicadeza, entendimento,
isso é a verdadeira humanidade.

Não importa quem seja o primeiro
a cruzar a linha de chegada,
importa mais chegarmos todos
cada um no seu momento,
satisfeitos, contentes, realizados,
sem competição ou criar placares,
como uma família planetária.




San, 18/07/2015

terça-feira, 14 de julho de 2015

As coisas tristes


Fazem parte da minha natureza,
intima, familiar, social,
vivencial.

Fazem parte das minhas escolhas,
descuidadas, desatentas, indecisas,
esvaziadas.

Fazem parte da minha vida
interrompida, rasgada, macerada,
sacralizada.

Fazem parte do meu poder
intenso, vibrante, descontrolado. 
desconhecido.



San, 13/07/2015

Ao mar


A vida balança tanto que dá enjoo.

A melhor coisa é ficar em casa em paz
e não precisar lidar com ego alheio.

Cansa ficar tão cheia de cuidados
com a sanidade dos outros
enquanto eu mesma estou 
na vigésima quinta implosão.

Por que me obrigo a ser assim,
tão atenciosa com quem
nem se lembra de mim?

Por alguns minutos a vida é boa,
coisa pouca que nem de longe paga
as horas já vividas,
as horas perturbadas.

E esse vazio que vem depois
como se perdesse toda energia,
essa tristeza, essa mágoa, essa raiva
de quem me esvazia.

Esse vazio que me pede - PARE!

Esse vazio que me grita - CHEGA!

Esse vazio que me implora - TENTA!

A vida balança tanto como um barco tosco
num mar bravio que eu não controlo,
com pessoas que não tenho apreço,
com uma intenção que eu não conheço.



San, 14/07/2015

BORDERLINE 2


Toca o sino e eu pulo
manda dançar e eu rodopio,
me deixa quieta no canto
enfim posso respirar
que engano!

Sou um brinquedo das emoções
e sem controle eu vou 
na direção indicada
pelo caminho
da risada ou choro.

Estou emparedada
pelo absurdo
do abuso
de mim mesma.

Estou aprisionada
pelo obtuso
genes ou
passado escuso.

Não sei mais
a quem dizer,
não sei mais
o que dizer,
não sei mais nada
até o próximo momento.

Então vem o desejo
e eu sou carregada
para um mundo brilhante 
e amistoso
ou hostil e horroroso,
pulando todas etapas,
cercas e muros,
e me debatendo
no escuro
da imprecisão,
da indecisão,
da auto destruição.

Não sei mais
o que realmente mereço,
não sei mais 
o que digo ou nego,
não sei mais
se me amo ou desprezo,
não sei mais
como voltar ao começo.

E essa história é tão antiga e complicada
como um lenda mil vezes contada
e a cada vez um novo inicio,
e a toda vez um novo desfecho.




San, 13/07/2015

sábado, 11 de julho de 2015

Cordões


Um dia você se tornou um estranho para mim
mas você ainda me reconhecia.

Como é dolorido sair desse caminho !

Eu fiz apenas uma mala
dessas fáceis de levar na mão
agasalho, documento, celular, mais nada,
nenhuma coisa que pudesse lembrar
da nossa vida juntos.

Como é dolorido deixar de amar alguém!

Você permaneceu de cabeça baixa
sem olhar a televisão ligada
uma mão segurando a outra
os pés em direção a porta
não dissemos adeus.

Nesse dia eu acordei do antigo sonho
e você entrou no novo pesadelo.



San, 10/07/2015

Prejuízo


Por poucas coisas nós nos quebramos
e agora temos que contar os danos,
varrendo a vida para debaixo do sofá
até algum de nós não aguentar.

Eu quero correr para a rua
gritando como sempre tive vontade
cada vez que você falava
do tempo que não havia nada.

Eu quero gritar na rua
correndo como sempre tive vontade
cada vez que você falava
que eu não vencia sua saudade.

Por poucas coisas nós nos matamos
e alguém vai ter que lidar com os danos
enterrando algo que tenha sobrado
até que alguém tenha mais cuidado.

Eu não quero mais falar nada,
eu não quero mais pensar sobre isso,
eu não quero mais muitas coisas
viver tem sido meu prejuízo.



San, 11/07/2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Escolhas


Dê ao outro 
a liberdade de ser frágil,
e não desejar a cura,
de não querer apoio ou orientação,
permita que ele mesmo avalie
como vê ou sente
sua própria vida.

E sem irritação ou intromissão
respeite que ele considere belo
o que talvez você julgue feio,
e como adequado ou normal
o que você diga ser doentio.

Dê ao outro
o espaço e tempo 
próprio e intimo
para pensar,
e direito de não querer avaliar,
olhar, ponderar, mudar,
 ser de outra forma.

Mesmo que para você
existam outros conceitos,
preceitos, estradas, normas,
orientações, desejos, expectativas,
se cale, não insista,
não persista,
se recolha,
deixe que cada um faça
sua própria escolha.



San, 06/07/2015

domingo, 5 de julho de 2015

Mito


Sim eu lhe prometo
farei coisas absurdas e belas
e serei fiel a elas
mesmo que me digam
que são impossíveis.

Toda minha vida senti 
que podia voar,
senti que podia entrar
no coração de todas as coisas,
senti que podia ver
além da marcação do tempo
e do espaço físico.

Sim eu lhe prometo
farei coisas sem sentido
e extremamente transformadas
e serei fiel a intenção 
dos meus atos
mesmo que me digam
que estou no caminho errado.

Toda minha vida soube
que podia ser qualquer coisa,
soube que não existiam paredes,
portas, muros, campos minados,
que pudessem deter minha intenção,
soube que era parte de um mito,
um caminho, um rito, uma mágica,
uma atuação.




San, 05/07/2015

Hibernation


Eu procuro um parceiro
para atuar comigo nesse picadeiro,
me indicar a hora certa 
de tirar o coelho da cartola,
esticar bem a rede de proteção,
afinar os instrumentos da orquestra,
comprar novos sapatos para a trupe de palhaços,
alimentar o tigre antes da apresentação.

Sim eu preciso de ajuda,
realmente preciso de atenção,
cuidado, carinho, proteção.

Será que fui eu mesma que determinei
passar pelas experiências sendo uma rocha viva
ou foi o descaso daqueles que estão a minha volta
que me levaram a esta condição?

Então me deito todas as noites,
sozinha como tem sido toda minha vida,
e imagino alguém também sozinho,
talvez agora se indagando sobre isso
o imagino e dentro de mim mesma digo:

- Tenha esperança, eu lhe entendo,
estamos os dois nessa condição!

O imagino dormindo então tranquilo,
alcançado por meu toque suave,
o imagino sorrindo deitando ao meu lado
e conversamos a noite toda em outra dimensão.



San, 05/07/2015