quarta-feira, 6 de março de 2013

De braços dados

Eu espero que voce me leve
a todos lugares que eu ainda não fui,
ao país da satisfação,
a cidade da confiança,
ao bairro da entrega,
a casa da certeza.

E prometo que estarei
completamente com você,
em qualquer momento,
seja ele especial ou banal,
agradável ou péssimo,
mágico ou estranho.

Irei conhecer
caminhos em você
que nunca foram
devidamente explorados,
sua mente, suas duvidas,
seus defeitos,
suas mentiras.

E você poderá
redesenhar o mapa
das minhas paixões,
abrindo espaço
para mudanças
e aventuras.

Um poderoso encontro
de inconsciência
para inconsciência.



San, 06/03/13

A escolha do amor


O amor não segue as convenções sociais,
não se preocupa com as crenças religiosas,
fronteiras fisicas, emocionais, espirituais,
o amor se espalha
e se multiplica rapidamente
entre aqueles que tem espaço na sua vida.

Talvez o amor seja um passaro
esta sempre procurando um ninho-coração
para se abrigar,
ele aceita toda a acolhida sincera que recebe
ele frutifica em diversos ambientes.

O amor não se preocupa com os vizinhos,
ele não se tortura pelas idéias alheias,
isso porque o amor sabe que a vida
é curtissima,
e gastar toda ela com medo,
duvida, espanto, inveja, raiva,
intolerancia e ignorancia
é a pior coisa que um ser humano
pode fazer,
perder deliciosos minutos de amor
para abraçar a dor.

O amor é tão flexivel
e inesperado
que nos surpreende
dos 8 aos 80 anos,
ele não se preocupa
com nossa data de aniversário,
conta bancaria,
sobrenome
e ideologias.

A escolha do amor
é sempre sobre si mesmo,
o amor ama aquele que ama
o amor.

San, 06/03/13

terça-feira, 5 de março de 2013

Tão fundo


 
Você se vendeu tão fácil,
por um preço
tão ridiculamente baixo,
que parece até um sonho.
Tão rapido, tão pouco,
tão sem problemas,
tão facil
destruir a minha vida.
Veio com uma picareta
na mão
e fez o serviço,
não tremeu, não falseou,
nem suou,
foi como uma coisa qualquer,
realmente sem importância.
E eu tinha 3650 dias de esforço,
reputação, persistência,
moderação, resistência,
que foram por terra
em menos de 3 minutos,
e fiquei ali imobilizada,
machucada,
calada, tonta 
entre os fragmentos.
Você se vendeu
tão facil,
eu me perdi
tão fundo.
 
San, 01/03/13

Ex Tremo


O bicho papão
me visitou ontem,
percebi de manhã
que havia sumido
minha calcinha de zebra,
meu diario e 
um brinco de perola.
Também acordei
sem paciência,
sem gosto para musica,
sem vontade de tomar banho,
boca seca.
Não sei porque peguei o jornal
e fiquei revirando folhas e folhas
do jeito que ele fazia
quando estava fingindo
que não estava mais ali
e eu poderia enfim relaxar.
Já troquei a fechadura
da porta da frente
mas o bicho papão
consegue entrar
de outros modos
pela calha,
convidado pela carência,
por uma fresta qualquer
da janela
do quarto dos fundos.
Quando eu vejo
lá está ele
fungando
e reclamando
que não mora bem
na nova casa,
que esta de saco cheio
de ficar indo e voltando,
que não tem mais tempo
para mim.
Estranho
logo eu
que pensava
que o tinha
mandando embora
quando menos espero
estamos dividindo
uma lasanha.
 
 
San, 05/03/13
 
 

FENOMENAL



Gostaria de me apaixonar
sem precisar pagar o preço
que uma paixão como essa
cobra de idiotas como eu.

E ela faz perder o rumo,
sorrir sem motivo,
falar sozinho,
trabalhar o dia todo
sem nem perceber
o que se esta fazendo.

Mas depois vem a noite,
o celular sempre ocupado,
a campainha da porta
que nunca atende,
o e-mail ignorado,
as desculpas de sempre.

Acompanhando a paixão
vem a sórdida rejeição,
o comichão da duvida
que não aquieta,
o fim do pudor
de espionar,
intrometer,
julgar.

E idiotas também querem
ser valorizados,
se sentir especial,
idiotas não desejam
ser eternos gandulas,
assistindo o jogo do amor
no escanteio.


San, 04/03/13

Do gozo que espanta o medo

 
Não quero sua identidade
quero apenas usar seu corpo,
não quero seus sonhos,
dificuldades,
descobertas,
certezas e duvidas,
o caminho que fez
para chegar até aqui.
Eu sou um objeto 
que diminue o valor de tudo,
eu sou uma ferramenta
de penetração,
calada, dura, cega,
que não se preocupa
com sua história.
Não quero saber o que fara amanhã,
onde mora, dorme, como vive,
não quero precisar de voce
novamente,
não quero precisar pensar
no que voce sentirá.
Eu sou um objeto
quer acelera todos os minutos,
eu sou uma ferramenta
de corte,
mesquinha, fechada, programada.
Eu vou cortando a vida
em fatias bem finas,
quase translucidas,
subtraindo a cor, textura, sabor,
função, intenção, doçura.
 
 
 
San, 05/03/13 
 

Da boa fé do povo



O amor bem resolvido
não interessa a ninguém.

Queremos jogar a pedra,
queremos gastar a língua,
ficar nos bares contando detalhes.

Queremos levantar a cruz,
fazer o talho,
queremos o inferno
para aqueles que escolhem
aquilo que não escolheriamos,
ou que tornam publico
a mordida gulosa no fruto proibido.

Queremos o amor complicado
que desgasta, surta, causa assombro,
melodramático, perigoso, feio, espantoso,
queremos comentar os comentários
do telejornal, da gazeta matinal,
da revista que cutuca a vida dos outros,
dos programas de escarnio.

Amor impuro, sujo, arriscado,
amor chifrudo, arisco, descartado,
amor que usa, abusa, não manda recado,
amor que vira do avesso,
faz perder o rumo,
corrompe o coração
e se chafurda no pecado.

O amor bem resolvido,
nos moldes, bem comportado,
não atende nossa necessidade de maldade,
nosso anseio de justiça crua,
nosso desejo de linchamento,
nossa mão com pedra,
nossa boca dura.



San, 04/03/12

Tenha tanto quanto conseguir

 

 
A vida não foi feita para fazer,
a vida é feita para prazer.
 
Fazer toma o tempo,
toma o corpo,
dá cansaço,
exige conhecimento,
jogo de cintura,
aceitar a insanidade do outros.
 
Prazer é coisa simples
mesmo que não pareça.
 
Prazer de beber agua depois de brincar muito,
prazer de desabar na cama quando o sono rompe,
prazer de sentar quando a perna cansa,
prazer de dividir um sorvete
ou um saco de pipoca
com o amigo também sem grana,
prazer da risada no meio da piada,
prazer do banho quente no dia frio,
prazer de ser abraçado em silêncio,
prazer de ser ouvido sem julgamento,
prazer de andar com as próprias pernas.
 
Tem tanto espaço para prazer no mundo,
tem tanto mundo para prazer,
tem tanto ainda a descobrir,
sentir, ver, apalpar, provar, cutucar,
pegar, largar, cheirar, pisar, passar,
envolver, criar, queimar, embelezar.
 
Tem prazer em todo momento,
mas estamos fazendo,
fazendo, fazendo, fazendo, fazendo,
coisas tantas que nem sabemos,
por que, para que, para quem, 
quando começa e quando acaba,
e assim fazendo tudo que é "certo"
e não fazendo tudo que é "errado"
ou ao contrário,
vamos fazendo,
sem sair, sem chegar, sem saber
aproveitar
o momento e a forma certa
do prazer.
 
 
 
San, 05/03/13 

domingo, 3 de março de 2013

Me deixa chorar !!!!


Quero meu direito
de ficar infeliz,
de reclamar,
me sentir uma merda,  
chorar até cansar,
cansar de chorar.

Exigo meu direito 
de não acreditar em alma gemea,
não me confortar com Deus,
bondade do mundo,
amor de amigos,
capacidade de mudar,
esperança no amanhã,
nada dessas porcarias otimistas.

Quero exercer livremente
meu direito de ser pessimista,
empata foda,
estraga festa,
nuvem negra,
vento frio. 

O direito de não amar, 
não compreender nada,
não perdoar,
não ser superior.

Quero meu direito a boçalidade,
a precariedade,
a apontar o dedo,
espetar o bonequinho,
ao bate boca desnecessário,
meu direito a deixar de existir.


San, 02/03/13

Surdo surto


Como em suspense passando por um tunel
entre dois pensamentos conflitantes,
angustia, desespero, medo, ansiedade,
olhando de fora o choque que se formava
absorvi a brisa de calma antes da forte tempestade.

E acalorada tirei a blusa, o shorts, a calcinha,
a vergonha, a lembrança, a obrigação,
o respeito, o conceito, as leis e normas,
a mesquinhez comigo mesma,
tirei todos, todas as vozes, todas as formas.

Tirei minha mãe do meu coração
e a deixei se afogar no rio,
tirei meu marido da lembrança
e deixei ele seguir seu caminho,
tirei meu filho dos soluços de saudade
e deixei ele se perder no esquecimento.

Fiquei tão nua que comecei a brilhar,
como os raios de sol
quando conseguem
transpassar a mata densa,
como uma idéia brilhante
que passa pela minha mente
mas não consigo agarrar.

Então entrei no silêncio
em meio a cacofonia do mundo,
pequenas imagens voando
a minha frente
sendo sugadas por um grande buraco negro.

E me joguei,
de olhos fechados, nua, sorrindo,
girando, quebrando, despedaçando, dançando,
em paz.


San, 03/03/13