domingo, 17 de julho de 2011

Silêncio



É claro para mim 
que esta em outro mundo,
um mundo estável, agradável, equilibrado
onde não existe a preocupação 
em possuir um o corpo, o dia seguinte,
em explicar sua intenção, 
referendar sua direção,
é um mundo de apenas SER.


Longe de mim negar 
todas as diversas alternativas
que a mente cria para voltar 
ao seu ponto de partida,
longe de mim negar a importância
das danças, musicas, roupas,
emblemas, palavras, designações,
grupos, mortificação, experimentação,
soltura, procura, enlevo, queda,
entendimento, transmutação.


Longe de mim negar 
aquilo que o ser humano designa mistério
ou caminho para o Divino,


No entanto quando olho para você
vejo um atalho dentro de mil atalhos,
vejo que não existe 
a necessidade da jornada,
passos duros, testes de aptidão,
sofrimento, entrega, devoção,
não existem nomes, classes, diferenças,
necessidade de submissão,
nem ao mesmo bondade e retidão,
apenas um grande silêncio
intenso, profundo, envolvente.





San, 17/07/11

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Correnteza


Mergulho na correnteza de dor,
até que fragmente todo NOS,
e assim o meu que era seu,
e o seu que nunca foi meu,
evaporam no fluxo 
das tristes lembranças.

Sei que você me espera em algum lugar,
sem perceber que nunca voltarei,
que nem ao menos sei como chegar.

Me banho hoje nas águas frias 
dos amores perdidos,
lavo todas risadas, 
toda vida partilhada,
e assim fico muito mais nua 
do que quando aqui cheguei,
este lugar que não reconheço,
onde me recuso a simplesmente existir.


San, 04/07/11

domingo, 19 de junho de 2011

Big B


Me lembro
um dia fui fragmento
mesmo assim era tantas.

Não havia em mim 
descontentamento,
solidão, medo ou inércia.

Era pacifica partícula,
nunca inerte,
viajando em todas as direções,
chegando ao mesmo tempo
ao ponto de partida.

Agora não me reconheço,
espelhos não me servem,
não me alcanço
apesar de estar aqui.

Não sei o que me tornei
ou o que fui tornada.
em corpo e alma
em mente e ilusão.

Apenas isso,
somente aquilo,
sozinha,
fim.


San, 19/06/11

Me estenda a mão



O tempo é meu flagelo
e todo seu corpo me diz NÃO.

No entanto acredito apenas
na ilusão dos amantes,
em que o mundo real
fica atras da porta.

Eu não posso sair desse ninho
sem me destruir,
lhe imploro.

Me estenda a mão
me estenda a mão
me estenda a mão

Eu cai de tão alto
para o mais profundo.

Tudo em mim esta quebrado
só lhe peço 5 minutos
antes do sol sair.

Mais um pouco, 
mais um dia, 
mais uma palavra,
me estenda a mão.

Não é pouca coisa para se redimir
muita coisa para carregar
tantas vidas para se lembrar
tanta agonia para curar.



San, 01/06/11

ABSURDOS ABSOLUTOS


Quem presta é prestativa.


Se presta a cada coisa esta criatura !

A cuidar da vida dos outros,
gente que nem sabe que precisa
de um cuidador.

Esta sempre disponível
até para completos estranhos
que acham isso tão exótico
que se divertem abusando
do espaço oferecido.

Gente que presta é tola,
só quer enxergar a pureza interior,
acha que o amor constrói
uma ponte, uma solução, uma resposta.

Que coisa besta ser prestativa !


Perdendo tanto tempo
em agradar, agradecer, agraciar, acalentar,
esses malditos "As"
que já são coisa do passado,
ninguém espera mais nada além
da ignorância conhecida.


Mas gente que presta
acredita em evolução,
em educar pelo exemplo,
em demonstrar novas possibilidades,
acha que seus atos prestativos
abrem portas da mente dos outros.

Gente que presta é bem cega,
precisa de um grande óculos
daqueles com lente de fundo de garrafa
para enxergar o fundo a que chegamos.

Não presta ser gente que presta!






San, 19/06/11

sábado, 18 de junho de 2011

Primavera


Eu não nego ou rejeito o amor,
nem sou tão fria e seletiva
como me julga.

Não me entenda mal
apenas somos 
de especies diferentes.

O auto conhecimento
traz a voz da natureza viva
e ela se encarrega de mostrar
o que é inadequado.

Então agora não vejo porque deveria 
cometer um erro tão básico,
me enamorar de alguém
de outro mundo.

O que iriamos compartilhar,
trocar, buscar juntos ?

Você não sabe o prazer de deitar
numa folha fresca na primavera.




San, 17/06/11

Dis cor dea cor de


Quase crase,
resquício da diáspora,
vaga uma mulher livre
na minha imaginação.

Ela não procura lógica,
sentimentos circunflexos,
apenas desatar nós
dos sentimentos.

Segura uma grande tesoura
e nas tardes solitárias
vai cortando minhas
balanças-amarras.

E eu me solto
apavorada-livre-insana
caindo entre textos decorados
vorazes comedores
da criatividade.

Quebrando regras
de linguagem,
as mentiras de homens geniais,
vislumbro um alguem vivo,
feliz, completo, não magoado.

E continuo a cair
do nada ao nada,
até calar
vozes-educação-conceitos,
me refaço apenas cor,
luminosidade.

San, 18/06/11



Concordância nominal


És uma vagabunda!

E merece saber 
que me quedo ao seu valor.

São poucos os que reconhecem
quanto são necessárias 
as vagabundas
em nossa sociedade.

Alguém que mereça
nossa língua ferina 
e insaciável.

Lava pura,
queimando outros
no inferno que idealizamos.

As vagabundas,
objetos da arte profana
que buscamos
na nossa ânsia de morder,
erguer, soltar, destrinchar.

Todas as coisas
que os lobos selvagens
bem fazem.

Alvos escarlates
que dançam a nossa frente,
abusadamente presentes,
plenamente vivas.

És uma vagabunda !

Nunca sera esquecida
na sua desdita,
em milhares de anos
seu nome ainda será pronunciado

Pouco lembradas as santas,
desapercebidas as justas,
esquecidas as boas,
ignoradas as certas.

És imortal.

Na sua indecência carrega
nosso DNA original.


San, 13/05/11

CATACRESE


Fragmento-me.

O verbo tem que delirar!

Esmiuçando
aquilo que não fui
e não serei,
penso ser
e quisera,
não quis
e acabei sendo,
fica o que ?

Pobre quimera.

Fragmento-me.

O verbo obliquo
indelicado,
perverso de ser conjugado,
mais ainda ser
carregado.

Fragmento-me.

Qual o sentido
de todas essas regras,
educação-aprisionamento?

O verbo tem que delirar !



San, 18/06/11

Bonjour tristesse !!!!



Não uso mais marcador de paginas,
apenas abro num lugar qualquer

e me deixo envolver.


Parece tão mais fácil !

Tem dias que possivelmente 

estou lendo a mesma parte de outro dia,

mas tudo me parece novo de novo,
e assim eu vou.

É uma roleta russa !!! 

A vida é um amontoado
de paginas já lidas
que tentamos dar novo significado.

As verdades são verdades
mastigadas e cuspidas,
vem com a saliva do animus
dos grandes homens publicos
que eram tão pequenos na vida intima.

Todos são iguais perante a tristeza !

Tome essa como unica certeza.
A igualdade da dor, da separação, do vazio,
igualmente pardos, contidos, abandonados.

Não uso mais marcador de páginas, 
virei dessas pessoas 
que se arriscam por quase nada
e se abstraem em quase tudo.



San, 17/06/11