domingo, 22 de fevereiro de 2026

No silêncio



 Muitas coisas
pesam sobre nós
as dores de tantos
as coisas de todos

 
Não tenho 
onde descansar
em todos os cômodos
os ruídos e acumulam


Me sento quieta 
para não ir junto
com as coisas tão feias
que ainda acontecem
por aqui


Neste lugar
estou apenas 
comigo mesma
mais ninguém
pode chegar 
ou me ferir


Amanhece o dia
e ainda estou assim
mais um pouco
menos louca
a viver


Quisera
transmitir você
essência
dessa coisa
tão estranha




San, 22,02,2026


domingo, 25 de janeiro de 2026

Retorno



Ter um vicio 
é como mergulhar
nas profundezas
de águas escuras
desconhecidas
barrentas


Dá medo
mas para que isso ocorra
algo mais aterrorizante
precisa estar
na superfície


No inicio ainda temos força
folego, intenção, determinação
só depois percebemos
como vamos sendo 
pouco a pouco
desvitalizados, 
amortecidos
puxados cada vez mais 
ao fundo


Apesar de não vermos nada
de não existir nada além daquilo
a água profunda, escura e lamacenta
criamos histórias, imaginamos coisas


As vezes unicamente o que temos
são as companhias a nossa volta
doloridas, más, tolas, interesseiras
ou apenas ignorantes
igualmente perdidas
todos fugitivos


E quando o ar acaba e percebemos
que precisamos subir a superfície
se quisermos realmente viver
e não apenas sobreviver
começa a grande batalha


Muitas forças nos empurram para baixo
cada vez mais fundo, mais escuro
o habito, mesmo ruim, o medo
o esquecimento de tudo mais
tudo de antes do mergulho


Voltar é um ato de fé em nós mesmos
quando nada mais nos dá esperança
é feito na instabilidade, no escuro
entre gritos, escarnio, risadas loucas
as diversas vozes que afirmam 
que não temos capacidade para tanto


No meio do caminho 
sentimos a morte
e ai finalmente entendemos 
que queremos a vida
não uma vida idealizada
a vida dos outros
mas a própria vida
seja ela qual for
mesmo desagregada


Nesse momento aterrador
muitos simplesmente desistem
aceitam viver entre os escombros
do que eles mesmo criaram
se perdem ainda mais
na impossibilidade


Outros empreendem 
com mais determinação
a pouca força que lhe resta
em braçadas dilacerantes
que doem tanto quanto
não ter mergulhado
e ficado naquela 
antiga superfície


Poucos muito poucos
percebem que já estão mortos
que não é possível voltar a nada
passado não é carro que tem marcha a ré
quem existiu antes já se foi a muito tempo
nada existe agora a não ser o vicio


Então soltam corajosamente 
seu corpo, sua intenção, seu desejo
com o rosto voltado
 a pouca luz da superfície


Se esvaziam apenas
sem saber ou não
se serão devolvidos


Apenas não se diluem mais
nas águas turvas, 
nas emoções turvas
no ambiente turvo


Se soltam 
como no momento do nascimento
sem saber para onde estarão indo
sem saber se alguém mais estará la
sem conhecer nada 
do mundo e de si mesmo




San, 25.01.2026

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

LIBERTE-SE


 

Porque você não sabe tudo
apesar de falar tanto
é o tanto dos outros
mastigado por muitas mentes
que podem ter mentido  
inventado,
estar erradas
liberte-se


Pare de cuspir palavras
que estão apodrecidas
de tanta agressividade
cobrança e medo
liberte-se


Ódio não traz boa vida
mesmo que todas as piramides
pareçam maravilhosas
são monumentos sangrentos
erguidos com a morte
e a dor de escravos
liberte-se


E você se tornou escravo
dessa consciência doentia
que diz conter a vida
mas exalta a separação
o caos e o medo
liberte-se


Não existe religião que salva
nós que salvamos a nós mesmos
e aos outros 
com nossas atitudes
liberte-se


Não existe deus que condena
nós que condenamos a nós mesmos
e aos outros
com idéias massacrantes
liberte-se


Toda religião é formada
por conceitos humanos
de homens para homens
dentro da sua época e lugar
não acompanham
o avançar da consciência
as necessidades, problemas
e habilidades humanas


LIBERTE-SE