segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Lladdais i dduw

 
 O torpe entope 
todos os meios de vida
com suas asneiras
raiva, boçalidade


 Espalha sua toxidez
roubando a força essencial
do pouco que nos restou
no insano mundo atual


Não quero mais falar 
dessas sujeiras
cansei desses monólogos
viciados e sem sentido



Cansei da sua fé fóbica
do seu deus monstro
da sua palavra decorada
vazia e feia



Lladdais i dduw




San, 26.10.2024

Camminare tra gli inferni


Voltei a ter os maus sonhos
meus ciclos dantescos
que julguei falsamento encerrado 
com o apocalipse cerebral
unica vantagem dos AVC


Os lindos nadas
os brancos persistentes
tão recuperadores
o sono vazio 
de sonhos torturantes


Temo ter perdido os benefícios
da saturação física
que levou a minha criatividade
memória e atenção
mas também o pavor


E agora volto a conviver
com mais uma tipificação de dor
aquela que não se situa 
na matéria densa
e não pode ser cessada
só modulada



San, 28.10.2024

 

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Bicho arredio



Corações feridos 
não sabem o que querem
voltar no tempo não resolve nada
fingir que não doeu 
não cicatriza mais rápido
as novas e velhas feridas


Preciso lhe dizer 
que já fui besta assim
fazendo de conta 
que a vida era isso mesmo
e que o amor surgia nesse avesso
onde as coisas 
não se tornam físicas


Querido realmente 
não lhe conheço
me apaixonei apenas pela sensação
que isso trazia
e sabia, mesmo negando, sabia
que isso iria evaporar um dia


Amor é um bicho arredio
como um animal ferido 
se esconde em multidões atrás de lixos
esperando apenas 
o melhor momento
para fugir




San, 26.03.2024



A grande ilusão




 Nunca fomos livres
nunca fomos fortes
e soubemos o que fazer

E agora dói saber
que não conseguiremos
superar mais uma agonia


Nunca fomos adultos
nunca fomos preparados
educados, desvendados


Fomos apenas jogados
nesse mundo sem sentido
meticulosamente desligados


Sempre tivemos um  dono
e as verdades entouram
na porta da nossa casa


Nunca fomos livres
nunca fomos capazes
nunca fomos preparados


Adeus mais um dia
adeus mais um mundo
adeus vida toda construída



San, 15.05.24

quinta-feira, 28 de março de 2024

Mais um Boçal



Eu esperava o mínimo 
de consideração
mas não 
engano meu
por esperar de alguém
que não tem gratidão
educação
visão de conjunto
senso de participação


Seu ego é tão inflado
que você se considera 
já totalmente preparado
para todas as coisas da vida
mesmo as que não conhece
ou domina


E dai para magoar 
os que estão a sua volta
é um ato comum
da sua estirpe
gente que se aproveita
do esforço
e conquista alheia
para se declarar 
totalmente
competente



San, 28.03.2024

 

terça-feira, 26 de março de 2024

Sem prumo

 


Eu perdi você
agora nada me resta a perder
ficou só o grande vazio
como se a vida fosse apagada
nossa história virou um nada
ódio, amor, duvidas, certezas
desencontros, brigas e retornos
a ninguém mais isso importa
nada mais tem relevância
se perdeu toda a distancia
e o desejo que ele continha
finalmente
ESTOU SOZINHA



San, 26.03.2024


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Voo longo



Eu sei do que foi de mim

perdida tanto tempo 

entre bobagens

como fé e esperança


Quem espera

nunca alcança

quem confia

cai também


Nunca realmente existiu

o lugar tão protegido

esse tal dourado ninho

de respostas e caminhos


E entre soluços e tremores

venho aqui mostrar minhas dores

os carimbos desse mundo

tão estúpidos e absurdos



San, 17.02.24

 

Ferido

 



A flor seca se esfarelou entre as paginas

já não tenho marcações da minha alma

para levar uma boa vida


Queria lhe doar esperanças

mas preciso me lembrar

que a morte sempre nos alcança


Mas saber isso

 realmente não afeta

essa vida apertada e imperfeita


A vida imunda

será que muda

quando amplia 

o tic tac lá do fundo


E dançando o bale dos desvalidos

sou apenas mais um boçal iludido

pingando sangue

mortalmente ferido



San, 17.02.24




O fim da pagina

 


Estou cansada dessa vida

vida ardida e preterida

machucada e ferida

rolando nas pedras

do profundo desencanto

caindo no chão do espanto


Sem saber como levanto

e sem querer tal esforço

para suster esse tanto

de vida inútil de encosto


Não dá mais

essa sina

assassina


Não há mais

essa vida

desvalida


Eu nasci num parto prematuro

no seu coração impuro

para uma vida imperfeita

sempre morando na sarjeta

faminta e desfeita

e levando todos os murros

dos passados absurdos


Não dou mais 

para carregar 

essa sina


Não dou mais 

para suportar

essa vida


E saindo dos preâmbulos

dessa vida de sonâmbulo

para alcançar o fim dessa pagina

enterrar todos os mitos

descartar todos os vícios

terminar esse ciclo



San, 17.02.24



Tantas vezes eu cai


 Você me prometeu o céu

mas me entregou ao inferno

e tantas vezes eu cai

eu cai para não saber mais

se podia levantar

então eu fui te buscar

você aquele que trouxe todos meus males

Essa história é tão antiga

de uma intriga tão profunda

que não sei mais onde começa ou termina

meu coração só quer parar

e descansar porque 

não posso mais 

AMAR VOCÊ



San, 17.02.24