Caiu, quebrou, colou,
resistiu, persistiu, registrou,
continuou.
Caiu, quebrou, doeu,
recolheu, embaralhou, observou,
absorveu, entendeu, descartou,
sonhou.
Caiu, quebrou, resistiu,
amordaçou, fugiu, reclamou,
espantou, perguntou, buscou,
cansou.
Caiu, quebrou, lamentou,
esperou, fingiu, esqueceu,
mancou, arrastou, deitou,
dormiu.
Caiu, quebrou, chorou,
limpou, entregou, perdoou,
apaziguou.
San, 01/12/2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Vácuo
Retire meu nome,
minhas roupas,
minhas lembranças,
meus números,
meus títulos.
Retire meus livros,
agendas,
celular,
técnicas,
crenças,
amigos.
Retire meus hábitos,
verdades e mentiras,
horários,
prazeres,
minha atrapalhação,
meus pontos cegos.
Retire minha família,
minhas dores,
minhas conquistas,
meus obstáculos,
minha meditação diária.
Sobrou o vácuo,
criador da verdadeira
natureza.
Existe um ponto
em que não sou nada.
em que não sou nada.
Não tenho expectativas
para falar da minha sorte,
não tenho mente
para temer a minha morte,
não tenho desejos
para elaborar meu futuro.
Não existe luz ou sombra,
não existe parecer ou ter,
adquirir ou persistir,
ser ou não ser,
apenas ali, aqui,
em todo lugar,
em todo lugar,
finalmente o vácuo.
San, 03/12/2012
sábado, 7 de julho de 2012
PAI
De braços fortes
e coração mesquinho
tomo a vida para mim,
eu me despeço amigo.
Aquilo que eu comecei
sem certeza e intranquilo,
agora com dor termino,
eu me despeço amigo.
A maré vai subindo,
e antes do sol a pino,
tomo meu rumo sozinho,
eu me despeço amigo.
San, 05/07/2012
Teatro
O tolo acredita
que tem opinião.
O sábio sabe
que a opinião o tem.
Não somos donos de nada
nem dos nossos desejos,
nem dos nossos pensamentos,
muito menos da nossa ideologia.
Nossa boca abre e fecha
pela boca dos outros,
palavras escolhidas
e acrescentadas
por mãos quase invisíveis
que vão puxando
o longo fio que nos direciona.
Vivem qual parasitas,
se fartando da nossa força
que é tomada por eles.
Sonhamos ser livres
quando não temos nada.
Quisera falar agora
daquilo que não conheço
mas isso não me foi permitido
não sou integra para chegar a tanto.
Até minha revolta e espanto
é teatro
na liberdade restrita
dos meus donos
vigilantes.
San, 07/07/2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Restituido
Desnecessário é
esse preambulo
entre tão poucas
palavras.
Quero apenas
suspirar
meus sentimentos.
Procuro algo
que possa conter
meus silencios.
Dia a dia
a saudade
é afogada
no meu coração.
Nâo estou mais aqui,
meu corpo tem sido
possuido
pelos espiritos
do que eu fiz.
Havera um dia
onde enormes ondas
se abaterão
neste deserto
da solidão.
Desnecessário é
afirmar a dor
do amor desconhecido,
restituido,
permitido,
destruido.
San, 01/06/2012
esse preambulo
entre tão poucas
palavras.
Quero apenas
suspirar
meus sentimentos.
Procuro algo
que possa conter
meus silencios.
Dia a dia
a saudade
é afogada
no meu coração.
Nâo estou mais aqui,
meu corpo tem sido
possuido
pelos espiritos
do que eu fiz.
Havera um dia
onde enormes ondas
se abaterão
neste deserto
da solidão.
Desnecessário é
afirmar a dor
do amor desconhecido,
restituido,
permitido,
destruido.
San, 01/06/2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
João e Maria
Deixei um rastro tão obvio
ao longo do meu caminho.
E mesmo que esteja tão cego,
certamente me encontrará.
Eu canto para você,
por você faço poesia,
e coloco um prato a mais a mesa
todos os dias.
Juro
deixei meu mundo para trás.
Será que conseguirá me perdoar?
Será que conseguirá me ver?
Será que conseguirá me alcançar?
E me reconhecer?
Temos tanta solidão juntos,
temos tanta dores partilhadas,
tememos os mesmos inimigos,
ilusão, dor, emboscada.
Não tenho mais palavras para você,
não tenho mais pétalas para jogar,
o tempo agora é outono,
quiserá que você pudesse me encontrar.
San, 19/02/12
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Me faz hoje
Posso curarseu tolo
coração,
me faz assim
melhor hoje.
Posso ouvir
os sons
da sua eternidade
me faz assim
fim do
mistério,
hoje.
Não há vida
depois de mim,
não há vida
entre outros mins,
sei que tudo
lhe parecerá
absurdo.
Vem dançar
colada
no meu corpo
e me deixe
cantar sua alma
esquecida,
me faz hoje,
me faz hoje,
por toda a vida.
San, 02/02/12
Esquizofrênica
Eu lhe vejo todos os dias,
desnuda, quebrada, sibilante,
preparada para o golpe.
Colagem de fragmentos
descontentes,
pais deprimentes,
quem cala pressente.
Sobreviver entre rastros,
esconderijos,
então o som de queda,
choros, bofetadas,
musica alta no vizinho.
Mas mesmo que a boca não fale,
o todo corpo espalha,
a palavra não dita,
mas sentida,
perdida,
esquizofrênica,
Então pega nessa mão descrente
e joga no papel caduco,
velho embolorado,
truco,
grita seus sonhos
persistentes.
San, 06/02/12
NÃO TE AMO MAIS !!!!!
No principio não haviam
verdades ou mentiras,
vivíamos sem parâmetros,
Não havia nada
com que se comparar,
analisar, medir, observar,
as coisas simplesmente eram.
Então surgiu seus lábios com idéias,
muitas, varias, diversas,
toda uma escala de comparação,
que me obrigava a escalar
um Monte Everest por dia,
E foi assim.
Cansei de subir, rolar, cair,
vencer um obstáculo
para mais outro e outro e outro
tentando chegar ao seu lindo e perfeito
lugar imaginário.
EU NÃO TE AMO MAIS !!!
Quero fazer eco
aqui na minha caverna ancestral
onde não preciso do seu aval
para viver aquilo que já vivo,
onde não terei que sentir seu gosto imaginário,
onde todas as verdades e mentiras
podem ser afrontadas.
Me aconchego no silêncio,
enfim em mim.
San, 03/02/12
Meus motivos
Eu só consigo dormir quando chove,
preciso do som da terra se banhando.
Fiquei meses acordada
entre os dias ensolarados
e as noites calorosas
sonhando com o frio e o vento.
Todas as noites eu prometo
que sairia sem rumo
apenas pelo prazer de me molhar.
Meus motivos saltam no futuro,
um futuro que talvez não aconteça
mas foi claro demais para mim.
Meus motivos são insanos,
eles temem fazer terapia,
não confiam na cura.
E as mentes simples,
do agora, deste ano, desse milênio,
não sabem o que é viver
toda uma vida sem chuva.
San, 05/02/12
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