terça-feira, 8 de novembro de 2011

Rugido


Quisera Quimera
não ter saído
antes do amanhecer
da minha cama,
como um comprador
de prazeres sujos
mundanos e impróprios.

E de tanto ter me profanado
trouxe ao mundo ódio destilado
envelhecido e reconhecido.

Apenas mais alguns segundos
teríamos ainda um despertar sorrindo,
talvez até com certo desconforto
vencido depois pelas boas lembranças,

Sua força de retração
foi alavanca 
rompendo e sugando 
das entranhas
o ferro que moldou 
a minha espada.

E forjada no coração enegrecido
e malhada pela dor do abandono,
se tornou perfeito material endurecido
mortal, cortante, invencível.


San, 06/11/11

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Em mim



Não venha mais até mim,
fique desatento,
não ouça meus lamentos,
não responda minhas indagações,
não traga soluções.

Todo seu cuidado,
apoio, atenção especial
fez a crença que existimos
em diferentes lados,
distantes e separados.

Exista em mim 
como um músculo do meu corpo,
uma pontada, contração,
as rugas do rosto,
seja meu coração.



San, 03/10/11

MEDITAÇÃO



Ouço o que meu corpo declara
nesse silêncio quase uterino

Flutuo na musica
que não se quebra,
prolonga, avança, encerra,
tudo é mutismo profundo

E de repente
sou arremessada
a um imenso espaço aberto, 
claro, arejado, tranquilo

Como o corte do cordão umbilical
sinto a dor do desprendimento

A vida começa outra vez.



San, 10/10/2011

R.etrato I.mprovavel P.essoal


Esta é a unica certeza:
Irei morrer,
todos morrerão.

Mas essa dita
não é para lhe causar medo 
ou transtornar seu coração,
longe disso.

Somente abro
com o mais provável
para lhe deixar meu pedido:
VIVA A VIDA!

Nem tão breve,
nem tão difícil,
nem sempre bonita,
as vezes complicada ou misteriosa,
cheia de prazeres que passam
e precisamos ir em busca
de muitos outros.

VIVA A VIDA!

Não use soutien,
abandone o calendário,
limpe a boca na manga da camisa,
faça as palavras descruzadas,
invente o riso,
desarme o "preciso...",
escolha sua mãe por votação.

Sua história não será lembrada,
e na família outra bonita sera escrita,
e assim de tantos mais 
um se foi,
incontáveis senhores poderosos.

Esta é a unica certeza:
VIVA A VIDA !



San, 07/10/11

X + Y = 1/2



Estou apenas 
a duas letras
do seu amor.

E fanática 
eu reescrevo
nossa história
até que ela possa
ser tão completa
que eu mesma acredite
na sua possibilidade.

Tenho saudades
dos tempos cheios de aflição,
tardes construídas de desejos,
noites de insonia e medo.

Ganhei a paz
dos solitários,
o silêncio dos desamados,
a perfeição do corpo 
sem movimento.



San, 10/10/2011

Belém



Vou levando e sendo levada
em fé amada apertada corda
seguindo aqueles que aqui estão.


Em todos a humanidade frágil
lagrimas desmaios cantos saudações
e no calmo rosto envolto em flores
contrastes do amor e da ilusão.


Não vim aqui negar aquilo que se avoluma
vim seguir aquilo que já me toma
não sairei daqui por acreditar no medo
estou aqui para resgatar o primitivo Ser.

Aperta a mão na corda,
a corda não mão,
um corpo no corpo da frente,
seguindo, vendo, sentindo, lento,
em Nazaré tem redenção.





San, 10/10/11

sábado, 10 de setembro de 2011

Valsa livre




Sua forma surge
dançando em meio 
ao turbilhão das emoções.

E me vejo novamente criança
e somente como criança
posso amar você.

Perdoa essa velha descrente,
essa mente cimentada na lógica.

Me encante,
dance outra vez.


San, 02/10/2011

Aos domingos




Trarei um cálido sorriso de aceitação,
tocarei seu corpo como da primeira vez,
e todas luzes se acenderão.

Novamente sera nosso domingo
ininterrupto amor se descobrindo,
mais do que desejo
a espera do seu beijo
é a aceitação.

Finalmente ter um corpo santo
que me permite ser humano,
em você eu busco o vestígio
de ser Adão.



San, 10/09/11

ARUANDA


Nego Véio tá falando,
dá conta de escuta,
porque quando Nego fala
tem coisa pra apreciar.

Nego Véio não é bobo
entende de amarração,
patuábanhos de ervas,
pomadas, forte oração.

E quando o Nego chega,
sempre vindo de mansinho,
o piteiro se acende,
e eu juro que é sozinho.

Das pousadas do seu corpo,
de tudo quanto que é vida,
Nego aprendeu sozinho
o preço da sua lida.

Sem medo Nego sorri
pois tudo que recebeu
agora passa para os filhos,
até os que nem nasceu.

E na hora da despedida
Nego canta sua canção,
da estrada bonita,
de Senhora da Conceição.



San, 10/09/11

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Então me calo



São mãos poderosas,
redatores de conceitos,
criam ondas concêntricas
que empurram o cotidiano.

Salvam, matam, curam,
abrem gaiolas,
apertam o torniquete,
um burburinho
de fonemas néscios,
silabas improprias,
dentes se arranhando.

Me calo,
não tenho língua
músculopalato,
paladar agridoce,
vontade de morder a carne.

Me calo
a palavra é musica
e quero um doce exalo
não um urro,
uma unha quebrando
numa carne dura.

Quero a boca pura,
calada,
meticulosa
quieta.


San, 01/10/11